quarta-feira, 9 de maio de 2018

Como tratar a tentativa de suicídio em crianças e adolescentes?


Trata-se a tentativa de suicídio com hospitalização, acompanhamento em consultório pela equipe de saúde mental, medicamentos ou psicoterapia.

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Na abordagem inicial do paciente que tentou o suicídio será avaliada se a hospitalização é necessária para garantir a segurança da criança ou adolescente ou se o tratamento no consultório/ambulatório é adequado e viável. A gravidade da tentativa,  a persistência e a intensidade da ideia ou intenção suicida (alto nível de intenção de morrer nas próximas horas ou dias), a história de múltiplas tentativas de suicídio, a gravidade da depressão ou da psicose, crises de agitação ou desespero pesam em favor da hospitalização. O tratamento em consultório/ambulatório torna-se arriscado em algumas situações tais como: conflitos familiares graves (agressividade verbal, críticas e hostilidade entre membros), abuso físico ou sexual, familiares usuários de drogas/álcool ou pais com transtornos mentais graves (ex: psicose). Se a decisão for pelo acompanhamento do paciente em consultório/ambulatório, são necessárias medidas explícitas para garantir a segurança do paciente e aumentar a adesão ao tratamento. A presença de uma arma de fogo na casa é um fator de risco para o suicídio. Os pais devem ser orientados a impedir o acesso do paciente às armas, medicamentos ou venenos. Como parte do estabelecimento de uma aliança de tratamento inicial com o paciente, o médico deve analisar o episódio suicida atual e planejar as medidas ​​a serem tomadas pelo paciente e pela família. Elaborar com o paciente um acordo explícito voltado para o compromisso com a vida ("contrato de não-suicídio") é uma técnica útil na prevenção de suicídios. Familiares e amigos próximos ao paciente podem ser incluídos na negociação de tal contrato. Neste acordo, são abordadas medidas de enfrentamento emocional e solicitação imediata de ajuda (pessoas, profissionais de saúde, contatos telefônicos, serviços de emergência) quando os pensamentos de suicídio ou de auto-lesão retornarem. A qualidade do apoio emocional dos pais, a supervisão e o compromisso com o tratamento são importantes para que o tratamento tenha sucesso. É importante a construção de uma aliança preliminar entre a família e o serviço de saúde mental enquanto a família ainda está na unidade de emergência. Quando um grave transtorno psiquiátrico é diagnosticado, o foco principal do tratamento é o transtorno relacionado ao suicídio. Além disso, os estressores familiares, sociais e escolares devem ser explicitamente abordados. Devem ser investigados também os sentimentos de desesperança, a instabilidade (descontrole) emocional e a capacidade em lidar com problemas emocionais e sociais. As consultas futuras com o profissional de saúde devem avaliar a evolução do tratamento e seu impacto na redução de ideias, planos ou comportamento suicida. Psicoterapia individual e familiar são intervenções que também fazem parte do tratamento. O uso de medicamentos antidepressivos devem ser prescritos com cautela para crianças e adolescentes, pois não há estudos que garantam sua eficiência em caso de tentativa de suicídio. Assim, caberá ao médico avaliar os riscos e os benefícios do tratamento medicamentoso para crianças e adolescentes que tentaram se suicidar.

Referências: AccessMedicine [Internet]. King, R.A. Suicidal behavior in children and adolescents. In: Ebert MH, et al. eds. Current diagnosis & treatment: psychiatry. 2ed. New York: McGraw-Hill, 2008. Disponível em: http://psbe.ufrn.br/index.php . Acesso em: 26 jul. 2017.

UpToDate [Internet]. Suicidal ideation and behavior in children and adolescents: evaluation and management. Informação atualizada em: 27 de maio de 2017. Disponível em: www.sibi.usp.br. Acesso em: 20 abr. 2018.

Organização Mundial de Saúde. Prevenção de suicídio: manual para médicos e clínicos gerais. Genebra: OMS, 2000.

Autor do resumo: Claudio Vinicius de Assis Rondado
Revisores do resumo: Prof. Dr. Fabio Carmona, Profa. Dra. Maria Cristiane Barbosa Galvão, Dr. Mateus Andrea Angelucci

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